O erro mais comum do produtor ao contratar seguro agrícola
A escolha baseada apenas no preço e a falta de análise da cobertura agrícola estão entre os principais fatores que fragilizam a proteção da safra
O seguro agrícola vem ganhando relevância no Brasil à medida que o produtor passa a lidar com maior exposição climática, custos elevados de produção e margens mais sensíveis. Ainda assim, um erro recorrente segue presente no campo: a contratação do seguro com base apenas no valor da apólice.
Na prática, muitos produtores acreditam estar protegidos, quando, na verdade, contam com coberturas agrícolas que não refletem o risco da cultura, da região ou do ciclo produtivo. O problema não aparece no início da safra, mas quando ocorre a perda.
O preço como único critério
O erro mais comum ao contratar seguro agrícola é priorizar o menor custo, sem avaliar o que a apólice efetivamente cobre. Essa decisão costuma desconsiderar fatores essenciais como:
- tipo de cultura segurada;
- riscos cobertos (climáticos, granizo, seca, excesso de chuva, entre outros);
- critérios de apuração de perdas;
- valor segurado em relação ao custo real da lavoura.
De acordo com dados consolidados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), atualizados até 2025, parte relevante dos sinistros agrícolas no país resulta em indenizações inferiores à expectativa do produtor, principalmente por inadequação da cobertura contratada.
Cobertura desalinhada da realidade da safra
Outro ponto recorrente é a contratação de seguros agrícolas padronizados, sem considerar:
- cultura específica (soja, milho, trigo, sorgo, etc.);
- tecnologia empregada na lavoura;
- histórico climático da microrregião;
- custo atualizado por hectare.
Segundo levantamentos do Projeto Campo Futuro (CNA) e dados da Conab, os custos de produção agrícola no Brasil permaneceram elevados em 2024 e 2025, pressionados por insumos, fertilizantes e logística. Quando o valor segurado não acompanha essa realidade, a proteção da safra se torna parcial.
A falsa sensação de proteção
Esse desalinhamento cria um cenário comum: o produtor acredita ter sua safra protegida, mas descobre no momento do sinistro que a cobertura não absorve integralmente a perda financeira.
Dados do IBGE e estudos setoriais apontam que eventos climáticos adversos seguem como um dos principais fatores de quebra de safra no país. Nesse contexto, o seguro agrícola precisa ser tratado como instrumento técnico, não apenas contratual.
O seguro agrícola é uma ferramenta essencial para a sustentabilidade da produção, mas sua eficácia depende da forma como é estruturado. Buscar economia é legítimo; transformar o preço no único critério, não.
Uma contratação bem feita considera cultura, região, tecnologia empregada e custo real da lavoura. Quando esses fatores não entram na análise, o seguro deixa de cumprir sua função no momento em que mais importa.